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Leucemia Felina (FeLV)

O vírus do FeLV infecta as células do sistema imunitário, deixando o animal debilitado.

 
 
Leucemia Felina (FelV) | Diabetes Felina | Cálculos Urinários | Enterite Linfo-Plasmocitária | Gravidez Canina
 

Caso em destaque:
LEUCEMIA FELINA (FeLV)

O vírus do FeLV infecta as células do sistema imunitário, deixando o animal debilitado. A vacinação está indicada para gatos que não vivem apenas dentro de casa.

O vírus da leucemia felina é um retrovírus que causa imunossupressão sistémica. Este vírus infecta os glóbulos brancos responsáveis pelo sistema imunitário, ficando os animais mais susceptíveis a outras doenças.
Os gatos infectados com o vírus do FeLV exibem normalmente infecções de pele secundárias à doença, tais como piodermatite recorrente e abcessos. A dermatite resultante desta infecção viral caracteriza-se pela presença de crostas e alopécia, e ocorre em primeira instância, na cabeça e no focinho, apresentando raramente uma distribuição generalizada.
A transmissão do Felv ocorre por contacto directo entre gatos. O vírus é eliminado sobretudo pela saliva e secreções nasais. As principais vias de transmissão são a partilha dos recipientes de água e comida, mordeduras entre gatos, contacto com as fezes e urina contendo o vírus, infecção transplacental e através do leite materno durante a amamentação.
Existe mais prevalência desta doença na população de gatos de exterior, do sexo masculino, com idade compreendida entre os 1-6 anos.
Aproximadamente 30% dos gatos expostos apresentam uma virémia persistente, vindo normalmente a morrer devido a complicações da doença num prazo médio de 2 a 3 anos.
Normalmente os sinais clinicos desta doença são bastante inespecíficos, os gatos apresentam-se a consulta com anorexia, perda de peso e depressão.
Esta doença não possui tratamento eficaz sendo o prognóstico bastante reservado.
A vacinação está indicada em gatos que correm um risco elevado de exposição ao vírus.
Está recomendada a realização do teste rápido de diagnóstico de Felv antes da vacinação. Se o animal for Felv positivo, não deverá ser vacinado contra esta doença em particular, no entanto deverá ser vacinado contra outras doenças bastante frequentes em gatos (coriza, panleucopénia e calicivírus).


BIDÚ

Espécie: Felina / Raça: - / Sexo: Masculino / Idade: 7 anos

História Clínica:
O Bidú, um gato doméstico de pêlo curto com 7 anos de idade, encontrava-se mais letárgico durante a última semana, tendo chegado a diminuir drasticamente de peso.
Convivendo com mais 3 gatos de interior e sendo todos eles alimentados ad libitum, a dona não sabia se ele teria comido ou não, ou se teria reduzido o seu apetite.
A vacinação, assim como a desparasitação, encontravam-se em dia.
Exame clínico:
O Bidú encontrava-se alerta, com um peso corporal de 5,8 Kg e uma avaliação corporal de 5/6 (gato obeso).
Encontrava-se com uma desidratação de cerca de 5-10%.
Foram efectuados os seguintes exames: hemograma, painel bioquímico e urianálise.
Interpretação dos resultados:
O Bidú tem Diabetes Mellitus agravada por uma lipidose hepática (devido à mobilização de gorduras) e uma pancreatite.
Tratamento:
Administração de alimento em quantidades suficientes - uma comida palatável para reverter a lipidose hepática. Administração de insulina Fluidoterapia.
Manutenção:
Dieta para gatos diabéticos; injecções de insulina a cada 12 horas; monitorização após 1 semana.

Aprenda mais sobre Diabetes Felina:
A diabetes é uma doença crónica caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar (glucose) no sangue. À quantidade de glucose no sangue, chama-se glicemia. Ao aumento da glicemia, chama-se hiperglicemia.
A Diabetes é uma situação relativamente comum em gatos.
As causas da diabetes
A diabetes é uma doença que resulta de uma deficiente capacidade de utilização pelo nosso organismo da nossa principal fonte de energia – a glucose. Muitos dos alimentos que ingerimos são transformados em glucose no nosso aparelho digestivo. Ela resulta da digestão e transformação dos amidos e dos açúcares da nossa alimentação. Depois de absorvida, entra na circulação sanguínea e está disponível para as células a utilizarem.
Para que a glucose possa ser utilizada como fonte de energia, é necessária a insulina.
A hiperglicemia (açúcar elevado no sangue) que existe na Diabetes deve-se em alguns casos à insuficiente produção de insulina, noutros à insuficiente acção da insulina e, frequentemente, à combinação destes dois factores.
Se a glucose não for utilizada, acumula-se no sangue (hiperglicemia) sendo depois, expelida na urina.
A insulina é uma hormona produzia pelo pâncreas e é a responsável pela regulação da glucose. Quando a insulina é insuficiente, o organismo começa a utilizar as reservas de gordura e proteína como fontes alternativas de energia. Como resultado o gato come mais, mas vai emagrecendo. Para além disto, o gato possui elevados níveis de glucose no sangue que são eliminados pela urina.
A diabetes mellitus nos gatos é dividida em 2 tipos: diabetes mellitus insulino -dependente, e diabetes mellitus não insulino- dependente. Aproximadamente 75% da diabetes nos gatos é dependente da insulina.
Gatos em risco de se tornar diabéticos
A diabetes pode afectar qualquer gato, mas os gatos machos castrados, obesos com mais de 6 anos (média de 10 anos) são os mais predispostos.
Sinais clínicos
- Urinar muito (vai mais vezes ao WC, urina na sua própria cama, ou em locais invulgares)-poliuria
- Ter muita sede - Polidipsia.
- Emagrecer rapidamente.
- Muito apetite, mas mesmo assim vai emagrecendo.
- Fraqueza muscular - Neuropatia diabética: postura mais plantígrada (deixa de saltar).
Como é que a diabetes mellitus é diagnosticada?
A diabetes mellitus é diagnosticada baseada na história clínica, nos sinais clínicos, exame físico e exames laboratoriais. A presença persistente de elevados níveis de glucose no sangue e na urina diagnosticam esta doença. Uma vez diagnosticada inicia-se imediatamente o tratamento
A cetoacidose é uma doença muitas vezes fatal, que pode ser desenvolvida em casos de diabetes não tratada. Alguns dos sinais clínicos que poderão estar presentes são: depressão, letargia, desidratação, anorexia, vómito, fraqueza e alterações respiratórias. Adicionalmente a diabetes dá origem a infecções bacterianas secundárias.
O tratamento do gato diabético
Um gato diabético deve ser tratado individualmente. Há gatos em que a glicemia é facilmente regulada, outros não. Apesar de haver drogas que podem ser administradas por via oral, a maior parte dos gatos requer injecções de insulina de 12 em 12 horas, por baixo da pele. As injecções são dadas em casa, e são indolores. A maior parte dos gatos não se apercebem que estão a ser administradas.
Um dos passos mais importantes no tratamento da diabetes é a alimentação do seu gato. A obesidade é um factor que provoca a insensibilização das células à insulina, sendo uma causa importante da diabetes. Portanto, se o seu gato for obeso, deverá fazer uma redução gradual do peso. Existem rações específicas para gatos diabéticos. Outra alteração que deve ser feita é a administração de alimento. O gato diabético deverá alimentar-se com metade da ração diária na altura da administração de insulina.
Possíveis complicações do tratamento de um gato diabético
A hipoglicemia, diminuição da glucose do sangue, é uma complicação perigosa e por vezes fatal. Os sinais incluem fraqueza, maior sonolência, tremuras, desorientação, descoordenação, convulsões e coma.
A hipoglicemia pode ocorrer por uma overdose de insulina, um aumento de consumo da glucose ou uma diminuição da ingestão de alimentos.
Assim, o dono de um gato diabético deve ter sempre mel o outra solução açucarada, para administrar ao seu gato em caso de hipoglicemia, assim como, o telefone do seu médico veterinário.

EM CASA VIGIE o apetite, o consumo de água e a produção de urina do seu gato.
A glicemia deve ser regularmente vigiada, de modo a adequar a dose ideal da insulina.
A fructosamina sérica e a hemoglobina glicosiladas ajudam os veterinários a controlar a insulina e a ajustar as doses.
No caso de existir um controlo glicémico adequado a monitorização deve ser efectuada a cada 2 a 4 meses.


HIKI E LOA

Hiki
Espécie: Felina / Raça: - / Sexo: Feminino / Idade: 3 anos

História clinica:
Gata fêmea não castrada, com 3 anos, condição corporal normal
Hematúria (presença de sangue na urina), e vocalização durante a micção.

Plano diagnóstico:
Análise de sedimento urinário – Cristais de oxalato de cálcio
Exame bactereológico de urina – Presença de Proteus
Ecografia – Presença de 2 cálculos urinários

Tratamento:
Remoção cirúrgica dos cálculos urinários
Ração urinária para prevenção do aparecimento de futuros cálculos

Loa
Espécie: Felina / Raça: - / Sexo: Feminino / Idade: 5 anos

História clinica
Gata castrada, com 5 anos de idade.
A queixa principal do dono era micção imprópria essencialmente na banheira e no lavatório
Plano diagnóstico
Bactereológico de urina – Presença de Proteus mirabilis
Sedimento urinário – Presença de cristais de estruvite
Radiografia – Presença de 2 cálculos urinários

hiki2 hiki1
Cristais de estruvite Cálculos urinários

Tratamento
Ração urinária
Antibiótico
Manutenção
Radiografia de controlo e continuar com ração urinária

Discussão dos 2 casos (Hiki e Loa)
A hematúria, disúria e polaquiuria são comuns em casos de cálculos e outras doenças urinárias, que são muitas vezes complicadas por infecções bacterianas.
Tanto a Hiki como a Loa possuem cálculos urinários, no entanto o plano de tratamento foi diferente já que a Hiki necessitou de remover os cálculos cirurgicamente. Isto deve-se à composição dos cálculos, já que os cálculos de oxalato de cálcio não se conseguem dissolver.
Tanto a Hiki como a Loa estão bem de saúde.


DAISY

Espécie: Canina / Raça: Rotweiller / Sexo: Feminino / Idade: 4 anos

História clínica:
Emagrecimento, diarreia há alguns meses, cor castanha, liquida muito abundante e sem muco cerca de 3 vezes por dia.
Exame físico:
Desconforto abdominal à palpação e magreza.
Exames auxiliares:
Dia 1- Coprocultura, parasitológico de fezes – presença da bactéria. Tratamento com antibiótico e ração intestinal. Ficou melhor, mas voltou a ficar com diarreia.
Após a realização de diversos exames sanguíneos, de uma ecografia e de uma biopsia intestinal, diagnosticou-se uma enterite linfo-plasmocitária.
Tratamento:
Ração hipoalergica, corticoterapia.

Mais sobre esta doença
A enterite linfo-plasmocitária é o tipo mais frequente de doença inflamatória do intestino delgado em cães e gatos e caracteriza-se pela acumulação de uma quantidade excessiva de linfócitos e células plasmáticas no intestino. Provavelmente possui uma base genética associada, ou no mínimo uma predisposição racial. Os Rotweillers são dos mais predispostos. O prognóstico é reservado.
Acompanhamento da nossa paciente
Esta paciente até à data encontra-se em recuperação e neste momento está a ser controlada com uma ração específica. Ao fim de 1 ano, a Daisy teve uma crise que foi controlada.
No entanto, necessita de uma monitorização constante dos níveis de albumina, proteínas totais, creatinina e ureia.
A Daisy é uma cadela feliz, muito grata à sua dona que tem feito tudo para que ela esteja bem e nunca desiste dela.


FRANCISCA

Espécie:
Canina / Raça: Golden x Labrador Retriever / Sexo: Feminino / Idade: 1 ano e 9 meses

História clínica:
A “Francisca” teve o cio há aproximadamente 2 meses e a dona só há 1 dia reparou que esta apresentava o abdómen de um tamanho anormalmente grande.
Veio à clínica para realizar o diagnóstico da possível gestação.

Exames auxiliares:
Foi realizada uma radiografia abdominal que revelou a presença de 7 fetos.
Cuidados a ter com a “Francisca”:
Como se verificou a existência de colostro (leite materno) nas mamas, podemos dizer que a gestação se encontra nos 7 dias finais.
Deve efectuar-se a desparasitação interna 1 vez antes do parto e 3 a 4 semanas após o parto.


Mais sobre este assunto
O período de gestação nas cadelas dura aproximadamente 63 dias, podendo variar entre os 56 e os 72 dias. O tamanho da ninhada varia bastante, podendo ir desde 1 cachorrinho em raças miniatura, e ser superior a 15 no caso de raças gigante.
Sinais da altura do parto
Na altura do parto dá-se um relaxamento da musculatura abdominal. O sinal clínico mais importante é a diminuição da temperatura rectal. Na última semana antes do parto, a temperatura rectal flutua bastante e diminui abruptamente cerca de 8-24 horas antes do parto. Em raças miniatura desce até aos 35ºC, em raças de porte médio pode atingir os 36ºC e em raças gigante os 37ºC.
Alguns dias antes do parto as cadelas ficam mais agitadas, buscam reclusão e sossego e podem mesmo rejeitar a comida; 12 a 24 horas antes do parto procuram um local privado para fazer o “ninho”.
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